Uma santa brasileira


POR CESAR FONSECA

As chamas que a consumiram se transformam em perfume exalado dos santuários
Cega de lucidez, lançou-se às chamas.

Voou para salvar suas crianças incendiadas pela loucura de ensandecido digno de dó em suas perdições mentais incompreensíveis, aparentemente, inexplicáveis.

Nossa heroína fez sua lei, no reinado da hipocrisia: lançou ao amor de professora-mãe de país perdido nas ondas de golpes tão ensandecidos como o incompreensível em sua irrazoabilidade louca.

Não queria perder suas crianças, aquele barro maleável afeito ao ritmo amoroso de suas mãos de artezã fraterna.

As crianças de Janaúba eram filhas de Helley Abreu Batista, seu sonho futuro de beleza e amor.

O maluco sem juízo despertou seu heroísmo sem fronteira.

Espírito de irmandade suprema no coração humano encarcerado de angústia, Helley lançou-se às chamas como fonte simbólica de água pura perfumada, essência humana em momento fraterno de realização completa.

Os golpistas antidemocráticos correram para homenagear falsamente o heroísmo, no mesmo momento em que mandam cortar orçamentos para educação, o sonho da mestra heroica para libertação dos seus amados filhos incendiados.

Helley jogou-se à morte para espantar a morte.

E encontrou a luz.

Foi destruída, mas o seu encanto heroico pairará no mundo como milagre do amor supremo.

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