Enquanto mídia faz silêncio sobre Duran, Moro aguarda cooperação com Espanha


Jornal GGN - Enquanto a imprensa tradicional e a Lava Jato fazem silêncio quase absoluto sobre o depoimento de Rodrigo Tacla Duran contra o amigo pessoal de Sergio Moro, Carlos Zucolotto, o juiz de Curitiba aguarda uma resposta sobre um pedido de cooperação internacional com a Espanha, feito em setembro com o intuito de processar o ex-advogado da Odebrecht no Brasil.

Na semana passada, Tacla Duran prestou depoimento à CPMI da JBS e reafirmou a acusação de que Carlos Zucolotto, compadre de Moro, cobrou 5 milhões de dólares em propina para melhorar uma proposta de delação premiada discutida com os procuradores liderados por Deltan Dallagnol.

A grande mídia não deu destaque às declarações de Duran nem incomodou Moro ou a força-tarefa para que fizessem um contraponto às acusações. Somente no domingo (3) à noite é que Rosângela Moro decidiu romper parcialmente o silêncio e publicou uma foto no Instagram, em apoio de Zucolotto. A mensagem dizia que ele era "gente boa" e que o "tempo vai esclarecer tudo".

Enquanto isso, Moro aguarda a conclusão do processo para que o Ministério Público da Espanha possivelmente ajude no julgamento de Duran no Brasil.

Ontem, o GGN publicou video de Joaquim Carvalho, do DCM, explicando que a decisão de Moro de processar Tacla Duran em Curitiba vai na contramão do posicionamento da corte espanhola que negou a extradição do advogado.

Por unanimidade, 17 juízes disseram a Moro que Duran tem direito a ser processado na Espanha e, dessa maneira, o juiz da Lava Jato deveria enviar os autos para aquele País.

ASSISTA AQUI:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=169&v=q8fgO4wsmpY

Ao tomar conhecimento da negativa da extradição, Moro decidiu, em 18 de setembro, pedir apoio do MP espanhol para intimar Duran a voltar ao Brasil para depor.

"Expeça a Secretaria pedido de cooperação jurídica internacional tendo por base o Acordo de Cooperação e Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre a República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha celebrado em 22/05/2006 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 6.681, de 08/12/2008. Por meio dele solicite-se a citação de Rodrigo Tacla Duran para responder à ação penal com prazo de dez dias para apresentar resposta. Solicite-se ainda a intimação para comparecimento em audiência no prazo de 10 dias úteis perante este Juízo para viabilizar a continuidade da ação penal, sob pena de revelia", escreveu.

Também no despacho de 18 de setembro, Moro estabeleceu que assim que o pedido de cooperação estivesse pronto, que fosse enviado aos procuradores de Curitiba, que deveriam, por sua vez, traduzir para o espanhol o documento junto com a denúncia, e depois encaminhar tudo ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica (DRAC) do Ministério da Justiça, que deveria acionar as autoridades espanholas.

Exatamente um mês depois, o MPF protocolou entregou a Moro petição referente ao ao pedido de cooperação internacional e, no dia 18 de outubro, quando expirou o prazo para tradução das peças, um ofício relacionado ao assunto foi expedido pela Vara de Moro.

Desde então, não houve movimentação processual registrada no sistema do TRF4.

Useful links