O yuan segue derrotando o dólar, o Paquistão é a nova conquista


Uma das formas de sublinhar as transformações na economia mundial é identificar a abrangência da moeda do país no comércio internacional. A ascendência da China com um crescimento recorrente do seu PIB está levando a superar o ainda líder Estados Unidos. Desta forma, a ascensão do yuan em detrimento do dólar revela uma novo ordenamento na política mundial.

O Paquistão se transformou na trigésima quinta nação em substituir a moeda estadunidense no sistema de pagamentos com a China. A decisão vai no sentido de findar a hegemonia do dólar no mundo.

A resolução do Banco Estatal do Paquistão vai permitir que Ilamabad e Pequim suspendam o dólar no comércio bilateral e em projetos do Corredor Econômico China-Paquistão (CECP). Desta forma, o Paquistão poderá pagar suas importações de origem chinesa em yuan e as empresas chinesas que investirem no CECP poderão realizar em moeda nacional.

Este modelo aclara as razões de países aceitarem abandonar o dólar. Além de facilitar exportações para China, principalmente no setor de energia, permite aprovar seus projetos de investimento que necessitam de capitais da potência asiática com prioridade. O cobertor do yuan abre portas para exportação, especialmente de petróleo e recursos minerais, além de anexar uma premissa decisiva para os chineses em participar de outras economias,o uso de sua moeda. Outra vertente é a estabilidade do yuan, mantida por uma forte ação do Estado, tanto para liquidez como reserva de valor.

O Paquistão passa a se inserir num grupo de 35 países dentre eles Rússia, Venezuela, Indonésia e Vietnam; e emitiu uma nota via seu Banco Estatal que reverbera esta tendência mundial:

"Considerando os recentes desenvolvimentos econômicos locais e globais, particularmente com o crescente tamanho do comércio e investimento com a China no CECP,o Banco Estatal do Paquistão prever que o comércio en yuan com a China aumentará significativamente. Gerando benefícios no longo prazo para ambos países."

Em 2015 e 2016 o comércio bilateral estabeleceu um patamar de 14 bilhões de dólares, um montante que deve subir significativamente. A República Popular da China já se comprometeu a investir no vizinho 60 bilhões de dólares até 2030.O principal projeto é uma rede de transporte ligando o porto de Gwadar no sudoeste do Paquistão a região autônoma de Xinjiang no noroeste chinês , via autopista, ferrovias e principalmente dutos petrolíferos.

Lançando olhar para o futuro, a expectativas de autoridades do Banco Central da China é que entre 2025 e 2030 o yuan supere o dólar comércio mundial.Um capítulo decisivo é a possibilidade do rei Salma Bin Abdulaziz da Arábia Saudita reverter a decisão de 1974 em permitir a exclusividade do dólar na venda de seu petróleo. Este reordenamento significaria reduzir a demanda anual da moeda estadunidense em 600 bilhões.

É uma hora que se aproxima na história do tempo presente, não há como parar este momento. Deste modo, para auferir ganhos, as nações devem decidir o mais cedo possível aderir ao yuan, se antecipando à concorrência premente.

AUTOR:

TÚLIO RIBEIRO
Economista, pós-graduado em História Contemporânea, mestre em História social e doutorando em Desenvolvimento Estratégico pela UBV de Caracas. Autor do livro A Política de Estado sobre os recursos do petróleo, o caso venezuelano (2016). Autor participante do livro A Integração da América latina: A História, Economia e Direito (2013)

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