Os caminhos do petróleo em 2018


Quando a bolsa de valores londrina abriu 2018 na sede da praça Paternoster, o petróleo brent mostrou como é motor do capitalismo contemporâneo aos 67,59 dólares o barril. O mercado de Nova Yorque (WTI) não alcançava há três anos um patamar acima dos 60 dólares, marcou 62,14. O início de 2018 registrou uma realidade difícil de mudar, o século XXI ainda possui no petróleo sua principal indústria, seja em tamanho, margem de lucro e volume de produção.

Enquanto muitos anos trazem exemplos notórios dos ciclos de oscilação do barril, buscar prever a tendência de valor se mostra de suma importância para nações produtoras e compradoras. É necessário ressaltar que o preço não se encontra apenas entre as curvas de oferta e demanda que balizam outras mercadorias. Ela é mais complexa e se formata na realidade geopolítica , segurança de logística, custo de produção bem como do capital imposto pela financeirização e principalmente a presença de acordos que garantam a rentabilidade do setor.

Há de se atribuir o protagonismo deste axioma no processo de valorização recente, depois da inflexão histórica até o patamar 25,81 dólares (WTI 8/2/16).

Em meados de 2016 ano, o grupo de nações produtores da OPEP e não-OPEP construíram um planejamento via redução de produção que contemplavam cortes de até 1,2 milhão de barril dia, e objetivos de intervalos de preço. O primeiro agrupamento foi liderado pela Arábia Saudita , Irã e Venezuela e o segundo, Rússia e Azerbaijão.

Os recortes da exploração delimitados em novembro de 2016, garantiram a recuperação durante 2017. O cumprimento alcançou 115% dos objetivos e foram renovados até o final de 2018. Esta vertente assegurou uma recomposição que em muito beneficiou a economia destas nações. Entrementes , se a elevação de preço deixar a moderação para acentuar-se pode levar cortes menores. Atenção recai sobre a Rússia, que rivaliza com Arábia Saudita em volume de produção, mas possui uma maior elasticidade de sobrelevar sua oferta.

A habilidade dos países consumidores visa retificar a recomposição de preço. A decisão destes é impor seu próprio paradigma através de duas vertentes. A primeira de caráter político, é promover a ruptura dos acordos que possam alterar sua cadeia de custos. As ferramentas se alinham em usar a geopolítica para inviabilizar estes acertos, seja pela pressão econômica, restrição de crédito, sanções ou guerras convencionais e financeiras. A Venezuela, Rússia e Irã sofreram estas práticas impostas pelos Estados Unidos e União Européia.

Outro aspecto é no campo elevar a oferta, com utilização do processo de fraturamento hidráulico (fracking) seja nas areias betuminosas de Alberta no Canadá ou o gás de xisto no meio-oeste estadunidense. Segundo a Agência Internacional de Energia(AIE) a capacidade de oferta deste modelo é de disponibilizar 10 milhões de barril dia. Este volume não tem permitido aumentar os estoques de reserva dos países da OCDE. Deste modo os prognósticos não se efetivaram ao nível de anular a queda de produção mundial via acordo OPEP e independentes, o que permitiu o aumento de preço do barril.

O sistema fracking, infelizmente ainda não percebida pela maioria da população, é um modelo de produção que esvai da natureza, mais do que representa em ganhos. Um barril de petróleo não convencional consome o dobro em água, além de poluir lençóis freáticos e contaminar o solo com produtos químicos que são usados para quebrar as rochas que retem o crudo.

Conclusivamente, diante de uma produção adequada a demanda no estágio de 90 milhões de barril dia, mantido os acordos e estoques estáveis ,qualquer situação inesperada de oferta mira para elevação dos patamares de valor .Acompanhando a ação dos principais atores deste mercado, leva perceber que os fundos de investimentos tem trabalhado para abrir novas áreas de produção, financiando derrubadas de governos contrários a liberalização do setor, como no Brasil ou sanções como na Venezuela ou Irã. Ainda corrobora com esta tendência , a ação da principal nação industrializada do mundo, a China avança na compra de reservas, poços ou associando-se a extrações e ela não costuma errar na sua estratégia.

AUTOR:

TÚLIO RIBEIRO
Economista, pós-graduado em História Contemporânea, mestre em História social e doutorando em Desenvolvimento Estratégico pela UBV de Caracas. Autor do livro A Política de Estado sobre os recursos do petróleo, o caso venezuelano (2016). Autor participante do livro A Integração da América latina: A História, Economia e Direito (2013)

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