SAFATLE: NÃO HÁ REDENÇÃO POR MEIO DE ELEIÇÕES


O filósofo Vladimir Safatle destaca que o Brasil "procura dar a si mesmo a impressão de certa normalidade ao conservar as eleições enquanto "oferece o espetáculo deprimente de uma democracia fracassada que nenhuma eleição poderá redimir"; para ele, a chamada Nova República surgida após o período da ditadura militar, "não existe, e nem existirá mais e que "diante dessa nova situação, só há dois caminhos possíveis. O primeiro já se anuncia. Ele passa pela clássica saída nacional a seus impasses, a saber, o apelo a um "poder forte" que pode levar o Brasil tanto a ser uma espécie de "Turquia soft"" ou a "uma radicalização democrática inédita que implica a reinstauração da institucionalidade política nacional"

9 DE MARÇO DE 2018 ÀS 08:10 //

BRASIL 247 - O filósofo Vladimir Safatle destaca que o Brasil "procura dar a si mesmo a impressão de certa normalidade ao conservar as eleições " mas encontra-se "completamente à deriva, com uma classe política que opera como máfia, com o fantasma de um poder militar pairando acima das forças civis, uma sociedade organizada em regime de castas, o país oferece o espetáculo deprimente de uma democracia fracassada que nenhuma eleição poderá redimir", diz em sua coluna desta sexta-feira (9).


Para ele, após o fim da ditadura militar, "o Brasil inventou para si a farsa de uma "transição pacífica" que conservou o núcleo político da ditadura dentro dos governos da Nova República, a farsa de uma "redemocratização" que nunca deu ao poder popular sua força institucional, a farsa de um "combate gradual contra a desigualdade" que conservou todos os benefícios das classes rentistas enquanto fornecia aos setores pobres da população empregos precários e de baixos salários. A última coisa que precisamos é da farsa de uma eleição", afirma.

O Brasil é um país ingovernável porque o horizonte de pacto forçado e de conciliação extorquida que produziu a Nova República não existe, e nem existirá mais. Diante dessa nova situação, só há dois caminhos possíveis. O primeiro já se anuncia. Ele passa pela clássica saída nacional a seus impasses, a saber, o apelo a um "poder forte" que pode levar o Brasil tanto a ser uma espécie de "Turquia soft" (ou seja, poder militar como elemento moderador e poder civil ocupado por "vice-presidentes decorativos") quanto a retornar ao seu ciclo de intervenções militares diretas" observa.

O segundo caminho, ressalta, "nunca foi tentado no Brasil porque até mesmo as ditas forças progressistas o temem (o que diz muito a respeito dos limites do "progressismo" brasileiro). Ele passa por uma radicalização democrática inédita que implica a reinstauração da institucionalidade política nacional. A Nova República acabou e com ela deve ir embora seu aparato institucional e sua constituição. O Brasil precisa de uma institucionalidade política que impeça que o poder seja tomado novamente de assalto por uma casta de políticos profissionais, que transfira os processos de decisão para fora do Estado por meio da proliferação de mecanismos de democracia direta, que esvazie a força discricionária do parlamento ao submeter suas decisões à confirmação de referendos populares", avalia.

Leia a íntegra da análise aqui:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2018/03/nao-ha-redencao-por-meio-de-eleicoes.shtml

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