JORNALISTA DA GLOBO PODE DAR OPINIÃO. DESDE QUE SEJA A MESMA DA EMPRESA.


Por João Filho no The Intercept Brasil

MESES APÓS o golpe militar de 1964, o tenente Juracy Magalhães, nomeado ministro da Justiça de Castelo Branco, convocou reunião com os donos de grandes jornais e listou uma série de jornalistas comunistas que deveriam ser demitidos. Roberto Marinho se recusou e disse uma frase que se tornaria célebre: “Nos meus comunistas mando eu: eles escrevem o que eu quero.” Esse poderoso aliado, fundamental para o golpe militar, não disse isso por espírito democrático, como se sabe. Ele estava garantindo aos milicos que tomaria as rédeas dos seus comunistas para que o regime não fosse importunado.

Hoje, sem os militares e com as redes sociais, a vigília se tornou mais complicada, mas continua, ainda que de forma velada e sutil. Chico Pinheiro, um dos únicos jornalistas do time principal da Globo a tomar posições mais progressistas publicamente, teve áudios gravados no WhatsApp vazados. Neles, criticava a cobertura da Globo, Sérgio Moro e prestava solidariedade a Lula, a quem considera um injustiçado.

Logo após a viralização dos áudios, o chefe de jornalismo da Globo, Ali Kamel, aquele jornalista que defendeu em livro a tese insana de que o Brasil não é um país racista, emitiu um comunicado interno igualmente insano alertando seus subordinados sobre a etiqueta jornalística da casa. Alguns trechos soam como piada a qualquer um que esteja minimamente ligado no jornalismo global.

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https://theintercept.com/2018/04/15/jornalista-da-globo-pode-dar-opiniao-desde-que-seja-a-mesma-da-empresa/

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