GENERAIS INTIMIDAM OS ELEITORES E CHANTAGEIAM A DEMOCRACIA


Por Mário Magalhães no The Intercept Brasil

AS MENOS DE 44 horas transcorridas entre as imagens de Jair Bolsonaro esfaqueado num calçadão e, na UTI hospitalar, encenando atirar com arma de fogo contam um drama e uma parábola. O drama é o torpe atentado contra o capitão de Artilharia, que cinco dias antes empunhara um tripé, fingira disparar e bravateara, para gozo da multidão que o ovacionava: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre!” A parábola é a do sapo e do escorpião.

A narrativa tem variações nos acabamentos, mas a alvenaria é a mesma. Um escorpião pede para atravessar um lago nas costas de um sapo. O sapo se recusa a dar corona por recear uma picada assassina. O escorpião alega não saber nadar; não envenenaria o anfíbio, porque afundaria junto com ele. O sapo coaxa: “Então, tá”. No meio da travessia, o escorpião o atraiçoa. Agonizando, o sapo pergunta sobre o motivo do gesto suicida. O escorpião esclarece, antes de se afogar: “Porque é da minha natureza”.

Candidato a senador no Rio, o deputado estadual Flávio Bolsonaro tuitou na sexta-feira, 7 de setembro, um dia depois de seu pai ser ferido em Juiz de Fora: “Jair Bolsonaro está mais forte do que nunca e pronto para ser eleito presidente do Brasil no primeiro turno!”.

Na noite do feriado, o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, disse em entrevista à Globonews que conversara por telefone com o cabeça da chapa. O candidato a presidente lhe recomendou “moderar o tom”, para “não exacerbar essa questão que está ocorrendo”.

Sincera ou pragmática, a atitude talvez rendesse votos: a vítima apelaria por serenidade e tolerância, repeliria a violência. No sábado, a ilusão ruiu, com Flávio voltando ao Twitter para publicar uma fotografia do pai sentado numa poltrona do hospital Albert Einstein. O paciente simulou tirotear.

A cena colidiu com o recado transmitido por Mourão. Por que Bolsonaro reincidiu na modulação beligerante? Porque é da sua natureza. Noutras palavras, da verve de Ciro Gomes, “ele foi ferido na barriga, mas não mudou nada na cabeça”.

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https://theintercept.com/2018/09/12/generais-exercito-eleicoes-democracia/

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