A FACADA QUE ATINGIU O FASCISMO


Por Joaquim Ernesto Palhares na Carta Maior

A pesquisa Vox Populi joga um balde de água fria nas pretensões fascistas das Organizações Globo. De nada adiantou o helicóptero e as mais de 24 horas de propaganda a Jair Bolsonaro, líder fascista do Partido Social Liberal (PSL), esfaqueado por outro lunático em Juiz de Fora (MG).

Pesquisa Datafolha desta segunda-feira (10.09.2018) já apontava um crescimento ínfimo perto do carnaval que fizeram, como revela o aumento da rejeição ao candidato fascista. Bolsonaro passou de 22 para 24% nas intenções de voto, apenas dois pontos; e sua rejeição aumentou de 39% para 43%.

A pá de cal, porém, veio nesta quinta-feira, com a pesquisa Vox Populi que confere a Haddad 22% das intenções de votos, líder na disputa, seguido por Jair Bolsonaro com 18%, Ciro Gomes com 10%, Marina Silva com 5% e Geraldo Alkmin com 4%, respectivamente brancos e nulos somam 21% (saiba mais).

De nada adiantou, a tentativa das Organizações Globo desta vez. Uma interferência descarada, como sempre fizeram. Basta comparar o tom e o tempo de cobertura do ataque a Bolsonaro com os tiros dados contra a Caravana de Lula. Aos 8 segundos destinados ao candidato fascista na propagando eleitoral, somaram-se horas de cobertura da Rede Globo.

Aliás, até agora João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, não se manifestou sobre a notícia do encontro com Bolsonaro, o único que negou foi Merval Pereira. E o que dizer das centenas de repetições da situação de Lula: “preso, condenado a 12 anos e 9 meses” na abertura de qualquer programa de rádio e TV do grupo Globo?

O tempo da disputa e de exposição dos candidatos diminuiu, por causa da reforma eleitoral; em compensação, a presença dos candidatos nos veículos privados de comunicação aumentou, sobretudo no noticiário da emissora e, possivelmente, de outras emissoras também. O fato é que com menor tempo de propaganda eleitoral, a discussão programática está cada vez menor.

As entrevistas da Rede Globo parecem verdadeiro bangue-bangue. Seus jornalistas vestem o papel de inquisidores. Não há espaços para o debate, apenas acusações. Prova disso é a quantidade de perguntas idiotas e o tempo que os nossos candidatos, progressistas e de esquerda, precisam perder para justificar por que são de esquerda. E depois somos nós os ideológicos.

A cobertura da Globo da selvageria cometida contra o candidato Bolsonaro e a forma como vem conduzindo as eleições apenas corrobora o que falamos aqui, há muito tempo: a boa filha à casa torna e abraça suas raízes. É questão de DNA, autoritária e fascista, a Globo sempre fez muito mais política e controle social do que comunicação. Ela acusa o PT de pretender controlar a mídia, mas é ela que promove o controle da comunicação brasileira, tendo em vista o seu monopólio.

Suas armas sempre foram a política rasteira da difamação pública, da demonização, da negação de direitos constitucionais como a presunção de inocência. Aparato eficiente na criação e disseminação do ódio ao PT e à esquerda em geral, não há surpresa alguma em ver as Organizações Globo apoiar alguém capaz de botar armas nas mãos de uma criança.

De dizer que “o grande erro da ditadura foi não matar vagabundos e canalhas como Fernando Henrique”, de gritar “não te estupro porque você não merece” para a deputada federal Maria do Rosário; de considerar que “a PM devia ter matado mil e não 111 presos” no Massacre do Carandiru; que “mulher deve ganhar salário menor porque engravida”, complementando depois que quando volta da licença-maternidade, a mulher “vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano”.

Não podemos perder de vista que o grande objetivo das Organizações Globo foi alcançado: a destruição da credibilidade da política junto à opinião pública. Isso somado à desidratação dos tucanos que sempre abrigou a direita, permitiu que Bolsonaro abrisse as portas do inferno. Um inferno, diga-se de passagem, que parece ter-se voltado contra ele. Seu estado de saúde hoje (13.09.2018) é muito grave.

Bolsonaro foi submetido a nova intervenção cirúrgica, com potencial para retirá-lo da disputa. Sua campanha vem sendo alimentada pelos boletins do Hospital Albert Einstein. Sobre o autor do atentado, confinado nos confins de Judas, nenhuma palavra mais. Enquanto isso, o assassinato de Celso Daniel, ocorrido há mais de 16 anos, até agora rende a produção de incontáveis reportagens, entrevistas, tentativas de reabertura das investigações etc.

O fortíssimo editorial do Le Monde neste fim de semana, “Brasil: o naufrágio de uma nação” fala por si: “a campanha presidencial corre o risco de radicalizar em um país que parece ter perdido o controle de seu destino”; “alguns falam sobre o suicídio de uma nação. Parece que sim”; “a campanha presidencial já era violenta. Pode-se recear uma radicalização ainda maior”, lamenta um dos principais jornais do mundo. Confira a tradução do editorial aqui.

O professor Boaventura de Souza Santos, em entrevista à Deustsche Welle Brasil, foi categórico: “os demônios do populismo, da ação antidemocrática – seja pelo fascismo ou pela resposta violenta a ele – estão a ter um lugar que já não pensávamos ser possível no Brasil” (leia a íntegra). Não há outra saída, as forças de esquerda precisam se unir para impedir a vitória de Bolsonaro. De preferência, para derrota-lo já no primeiro turno.

Agora, é espantoso o comportamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que permite tamanha leviandade. Estão muito mais preocupados em impedir o retorno de Lula. Não só impediram a candidatura do ex-presidente, dando as costas à decisão das Nações Unidas, como proibiram a utilização do slogan “Eu sou Lula” e exigindo a definição do PT sobre a candidatura Haddad.

Não nos esqueçamos que Dilma foi afastada, segundo a Globo e os golpistas, porque a “população” assim o queria; deputados e senadores enchiam a boca para dizer que o impeachment era uma exigência dos brasileiros. Ministros do STF, como Gilmar Mendes e Fux corroboravam a ideia de que quando um presidente perde o apoio do Congresso e da população é melhor ser afastado.

Pois bem... No caso de Temer, esqueceram aquilo que afirmaram. No caso de Lula, muito mais que esquecer, fizeram a opinião publicada prevalecer sobre a pública. É neste contexto que se dão as eleições deste 2018. Felizmente, a facada de Bolsonaro não atingiu a democracia, ela saiu revigorada. Foram contrariados os interesses da Globo, dos militares, da elite nacional que corre sério risco de perder sua quinta eleição. Ficou provado que a facada em Bolsonaro feriu muito mais o fascismo do que a democracia.

É o fascismo que está na UTI agora, como demonstra a liderança de Haddad na pesquisa Vox Populi desta quinta-feira, dois dias após oficializada a sua candidatura em Curitiba. Em carta, Lula pediu “de coração” aos que nele votariam para que “votem no companheiro Fernando Haddad”.

Lembrou, também, que ao proibirem sua candidatura, os tribunais “proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do Brasil”. Diante disso, afirmou, “estou indicando ao PT e à coligação a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que desempenhou com extrema lealdade a posição de vice".

Haddad, em seu primeiro discurso como candidato oficial, relembrou as conquistas dos governos petistas e deu a linha à militância de esquerda e progressista: agora é hora de “sair às ruas de cabeça erguida e de ganharmos essa eleição. Não vamos desistir desse país, sobretudo, depois de conhecer o Brasil que deu certo. Não podemos mais abrir mão de sonharmos acordados e realizar esse sonho no dia a dia”.

Nesta trincheira por um Brasil melhor, Carta Maior continuará trazendo a vocês o conteúdo seleto e representativo do pensamento da esquerda no Brasil e internacional, convidando todos a acompanharem, diariamente, a nossa editoria Poder e Contrapoder porque não podemos esquecer que as eleições brasileiras estão relacionadas com a geopolítica e suas disputas em curso neste momento.





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