Jornalismo sem fins lucrativos: Um modelo que está aqui para ficar


O jornalismo sem fins lucrativos continua a crescer e se expandir internacionalmente.

Direkt36 na Hungria foi lançado no começo do ano. Uma equipe de jornalistas brasileiros dirige a Agência Pública em São Paulo. Sheila Coronel fundou o Centro Filipino para Jornalismo Investigativo.

Também há o Centro Romeno para Jornalismo Investigativo e o Bureau of Investigative Journalism em Londres. E a lista continua.

O jornalismo sem fins lucrativos não é algo novo nos Estados Unidos. (A Associated Press, criada em 1846, é uma organização sem fins lucrativos.) Existem cerca de 100 veículos de jornalismo sem fins lucrativos nos Estados Unidos.

Em um evento recente organizado pelo Center for International Media Assistance (CIMA) e OpenGov Hub, os painelistas discutiram se o modelo de jornalismo sem fins lucrativos pode ser exportado para outros países.

Iniciativas mais novas de jornalismo sem fins lucrativos fora dos Estados Unidos frequentemente se inspiram na ProPublica e no Center for Public Integrity (CPI) como modelos para reproduzir em seus países. Mark Nelson, diretor sênior do CIMA, disse que usar modelos de sucesso sem fins lucrativos pode ser útil em países “que têm dificuldade em estabelecer uma mídia independente sustentável."

"A mídia ou é mantida refém pelos governos ou por agentes do setor privado que estão tentando influenciar o governo", disse Nelson. "Isso significa que muitos países não têm o tipo de vozes independentes importantes, a fim de estimular o desenvolvimento e criar possibilidades de melhorar a vida."

Durante a discussão, Nelson, o presidente da ProPublica, Dick Tofel, o fundador do CPI, Charles Lewis e o ex-repórter do Wall Street Journal e escritor Tim Carrington falaram sobre o passado, presente e futuro do jornalismo sem fins lucrativos. Aqui estão seus pontos principais:

A hora certa

No evento da CUNY Graduate School of Journalism, Tofel participou de uma sessão sobre o que faz startups terem sucesso. Não é liderança ou conceito, Tofel lembrou, é o "timing".

Quando Paul Steiger fundou a ProPublica, em 2007, acontecia uma crise de negócios significativa na imprensa, e a ProPublica preencheu um buraco crescente no jornalismo investigativo no momento oportuno.

"Certos tipos de jornalismo foram subsidiados no antigo modelo tradicional de lucros enormes que rodaram em toda a parte", disse Tofel, que foi gerente fundador da ProPublica. "Quando esses lucros - particularmente em torno de 2005 - começaram a recuar... essas coisas pararam de ser subsidiadas."

"O que trouxe a maioria das pessoas para o jornalismo sem fins lucrativos foi que não havia mais dinheiro para sustentar o jornalismo investigativo ou reportagens internacionais para um público americano."

Encontre os fundadores certos

Por várias razões, o jornalismo sem fins lucrativos conseguiu florir nos Estados Unidos, mas Lewis, que começou a CPI em 1989, disse que só funciona com o apoio de pessoas que reconhecem a importância da informação.

"A maior parte do financiamento não veio de organizações de mídia", Lewis observou. "A maioria dos fundos vem de outras fundações que percebem que se você não tem informações não tem comunidade; se você não tem comunidade, pode ter alguns problemas com essa coisa chamada democracia."

Lewis admitiu que as leis tributárias fora dos Estados Unidos são menos benéficas para pessoas que querem apoiar iniciativas de jornalismo sem fins lucrativos, mas ele insiste que colegas jornalistas devam buscar alternativas.

"Quando meus amigos jornalistas estrangeiros dizem que têm um problema com as leis tributários, eu digo: 'Meu Deus, então eu acho que não existe nenhuma pessoa rica?'", Lewis disse em tom de brincadeira. "Eles respondem que eles têm muitas pessoas, e eu pergunto: 'Alguns deles gostam de informações?'"

Meio a contragosto, seus amigos respondem que sim.

"Precisamos de pessoas para dar dinheiro de maneira filantrópica [para a ProPublica] porque tentamos todas as outras coisas, e eu não vejo nada produzir resultados significativos [para nós] ou francamente para qualquer outra pessoa", Tofel mais tarde acrescentou.

Crie parcerias

Só no ano passado, o New York Times publicou de 38 artigos da ProPublica. O site de jornalismo sem fins lucrativos continua a fazer parcerias com organizações de notícias como o Washington Post, This American Life e NPR, para distribuir conteúdo. De fato, a ProPublica tem uma lista longa de parceiros e permite que qualquer um reproduza seu trabalho seguindo certos termos e condições.

"Parcerias são boas para se fazer aparecer", Tofel disse.

Para escutar a discussão inteira, assista ao vídeo do CIMA abaixo.

AQUI:

https://ijnet.org/pt-br/story/jornalismo-sem-fins-lucrativos-um-modelo-que-est%C3%A1-aqui-para-ficar

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