BRIAN MIER: ASSANGE É ALVO DA MAIOR PERSEGUIÇÃO DA HISTÓRIA CONTRA UM JORNALISTA


Em entrevista à TV 247, o jornalista norte-americano Brian Mier afirmou que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, foi preso por desafiar o poder do governo americano; "se você utiliza esse direito de liberdade de imprensa para desafiar o poder você se coloca em risco', diz; ele ressaltou ainda que, com a prisão de Assange, não se deve esquecer de Lula; assista


BRASIL 247 - O jornalista norte-americano Brian Mier afirmou que a prisão do jornalista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na última quinta-feira (11), é um exemplo de perseguição aos jornalistas. Ele também criticou os cúmplices do governo estadunidense na prisão de Assange.

"Oficialmente estão dizendo que é porque ele compartilhou uma senha com Chelsea Manning, que é bobagem. Eu acho que é um dos piores exemplos de perseguição a jornalistas da história do mundo. Equador está comprado, Lenin Moreno é um traidor, Austrália age como um fantoche dos Estados Unidos na Ásia e Inglaterra é a puxa saco número um histórico dos Estados Unidos".

Brian Mier ressaltou a hipocrisia dos Estados Unidos de repudiarem a caça aos jornalistas e defenderem a liberdade de imprensa. "É um exemplo da liberdade de imprensa burguesa, a imprensa burguesa ama falar sobre liberdade de imprensa. Se você utiliza esse direito de liberdade de imprensa para desafiar o poder você se coloca em risco. Não é só a Arábia Saudita que mata jornalista, não é só a Rússia que persegue jornalista. O Julian

"Assange é um jornalista premiado, um ativista também, e ele está sendo preso simplesmente porque ele desafiou o poder norte-americano, ele revelou várias provas e materiais do governo americano", acrescenta.

Ainda sobre hipocrisia, o jornalista disse que a liberdade de imprensa só importa aos americanos caso esta desfavoreça seus inimigos. "Eles só ligam para liberdade de imprensa quando eles podem usar isso como uma arma contra um inimigo dos Estado Unidos. Se uma pessoa com o perfil do Assange for preso em Cuba: 'Meu Deus! Agressão contra liberdade de imprensa!'".

O jornalista chamou a atenção para a importância do trabalho do WikiLeaks nos últimos anos para o Brasil. "Se não fosse o WikiLeaks demoraria 30 anos para o povo descobrir o nível de envolvimento dos Estados Unidos no golpe brasileiro de 2016 e na chegada de Jair Bolsonaro ao poder".

Sobre o destino de Assange caso seja extraditado aos Estados Unidos, Mier disse não acreditar em uma pena de morte e o comparou com o ex-presidente Lula. "Eles não podem o matar porque ele viraria mártir, eu acho que Assange é famoso demais para eles o matarem. Eles vão tentar continuar a assassinar o caráter dele, tentar fazer de tudo para destruir a imagem do Assange e destruir o legado do Assange da mesma forma que estão fazendo com Lula, ou seja, não basta o colocar na cadeia, é preciso destruir o legado dele, precisam assassinar o caráter del para ele virar o bicho-papão na cabeça de todo mundo".

O jornalista comentou também sobre a imprensa hegemônica norte-americana que utilizou dos materiais divulgados pelo WikiLeaks para lotarem suas páginas de jornais na época e que, agora, se voltam contra Julian Assange. "Parece que há anos essa imprensa hegemônica virou contra Assange, totalmente. Ficam só repetindo acusações difamatórias contra ele. Ele foi culpado pela vitória do Trump pelo Washington Post e New York Times dizendo que foram os e-mails que ele soltou de Hillary Clinton que ganharam as eleições para o Trump e até o Trump virou contra Assange agora".

Brian Mier classificou os Estados Unidos como o país com melhor marketing do mundo. "Estados Unidos é o país com melhor marketing do mundo, você veja a distância da fala do 'país livre' e que na prática tem dois milhões de pessoas na cadeia".

Mier ressaltou ainda que, com a prisão de Assange, não se deve esquecer de Lula. "Lula era o prisioneiro político mais famoso do mundo e agora tem outro concorrendo com ele. Eu espero que as pessoas não esqueçam de Lula por causa disso, mas Lula está dando solidariedade para Assange, Assange sempre deu solidariedade para Lula e eu acho que juntando os dois casos pode ser um momento interessante".

Assista à entrevista na íntegra:

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