Mercado financeiro embala ditadura parlamentar para aprovar urgente reformas antipopulares trabalhista e previdenciária


Sintonia perfeita. Temer e Maia, submissos ao mercado financeiro, lixam-se para regimento e Constituição, na guerra parlamentar das reformas. Cunha faz escola.
Foi a reedição de um filme de horror antidemocrático em pleno Congresso. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, aprendeu, direitinho, a lição do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha, há seis meses preso em Curitiba. Na terça, à noite, o plenário havia rejeitado pressão do Palácio do Planalto, dada pelo presidente Temer, em favor de pedido de urgência, para acelerar reforma trabalhista. Esse é o desejo do mercado, das grandes empresas e dos grandes bancos, que financiam, por meio da legislação eleitoral corrupta, os mandatos parlamentares no Congresso. As forças governistas, maioria esmagadora, não atingiram o quorum de 257 votos. Naquele dia, a novidade política nacional fora a divulgação da pesquisa Vox Populi-CUT em que Lula, como foguete político eleitoral, alcançava preferência de 45% do eleitorado. Não tem pra ninguém, na atual conjuntura de desgaste total das forças governistas, tendentes à fuga em massa diante da opinião pública propensa à volta do ex-presidente operário. Era a resposta das ruas ao governo golpista em sua tentativa de massacrar trabalhadores com sua proposta neoliberal, na contramão do mundo. O impacto da pesquisa abalou geral os golpistas, dessintonizados dos anseios populares. Que fez o Planalto? Desconheceu o veredito do plenário. Mandou votar de novo. Corrompeu o regimento interno da Câmara. Repetiu comportamento que Eduardo Cunha adotara várias vezes. De onde vinha a ordem ao governo? Claro, do mercado financeiro. Nessa segunda tentativa, sob pressão intensa dos credores especuladores, alcançou-se maioria de 287 votos. Caso isso não ocorresse, Temer e sua base perderiam utilidade para o mercado, cujo comportamento se expressaria em volatilidade intensa. Por que continuaria apoiando um governo cuja força cadente não atenderia mais os interesses das classes proprietárias, financeiras, especulativas, entreguistas, antinacionais? Temer e seu ministério, alvos da Operação Lavajato, seriam rifados. Emergiria crise política. Ganharia força processo no Tribunal Superior Eleitoral(TSE), que propõe cassação da chapa Dilma-Temer. Entraria em pauta a eleição indireta. Porém, como as forças governistas não dispõem de credibilidade para escolher novo presidente, o Judiciário assumiria, politicamente, o País. Ou, caso não ocorresse isso, teria que ser antecipada eleição direta. Lula na cabeça seria a lógica eleitoral do momento. Eis porque Rodrigo Maia encarnou o espírito de Eduardo Cunha, nessa quarta feira triste para a democracia. Lixou-se para o regimento, para a Constituição, para a institucionalidade legal existente no Legislativo, de modo a seguir trâmites de matéria sobre a qual se desperta a atenção da população em grau máximo. Maia partiu para o gesto autoritário. Evidenciou-se a lógica do direito da força em substituição à lógica da força do direito. Instalou o titular da Casa, pura e simplesmente, a ditadura parlamentar, com aplauso do oligopólio econômico-financeiro-midiático que governa o País, nesse momento. A matéria segue para a Comissão especial da reforma. Lá, o rolo compressor do governo vai funcionar de novo, para mandar o assunto ao plenário. Como reagirá? Se a greve geral do dia 28, contra as reformas Temer, for sucesso, aí, serão outros quinhentos.

FONTE:
http://independenciasulamericana.com.br/2017/04/mercado-financeiro-embala-ditadura-parlamentar-para-aprovar-urgente-reformas-antipopulares-trabalhista-e-previdenciaria/

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